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Interoperabilidade de Sistemas de Informação na Modernização da Administração Pública

Nos dias de hoje, existe uma necessidade premente, por parte de todas as pessoas, de ter acesso à informação de uma forma rápida, fácil e controlada. Esta mudança de paradigma faz-se reflectir inclusive na administração pública, pois cada vez mais o cidadão tem menos tempo para despender em deslocações às instituições.

Para atingirem os objectivos referidos anteriormente, as instituições têm de realizar verdadeiras revoluções internas, optimizando procedimentos de trabalho, definindo e gerindo processos, sempre com o objectivo de prestar cada vez mais um melhor serviço.

A melhoria e optimização do serviço prestado ao cidadão passa também pela optimização dos processos, pela redução de tempos de execução das actividades, e por melhorias nos circuitos internos realizados pelos processos. Assim, torna-se fundamental a implementação de projectos de interoperabilidade entre sistemas de informação, estando estes numa mesma organização ou interorganizações.

O que é a Interoperabilidade?

Assim como nós, humanos, utilizamos vários idiomas para nos expressarmos, também as máquinas utilizam um variado conjunto de protocolos. Não referenciando apenas a linguagem verbal, mas lembrando a linguagem gestual, verificamos que as formas de expressão entre humanos se situam a vários níveis.

O mesmo se passa com as máquinas: podem ser interoperáveis ao nível, dos protocolos de comunicação e não o ser, ao nível dos termos utilizados na mensagem que é transmitida. Seria algo semelhante a humanos tentarem comunicar, mas uns a falar italiano e outros alemão. Mesmo utilizando o mesmo idioma, poderá haver termos idênticos que têm significados diferentes.

O surgimento de iniciativas isoladas de interoperabilidade resulta na criação daquilo que designado por “ilhas”. Nestas ilhas existem várias máquinas que comunicam entre si e são interoperáveis, mas permanecem isoladas do resto do mundo. As máquinas, para se entenderem, necessitam de um idioma comum que possibilite a partilha não só da sintaxe e da estrutura, mas também, da sua semântica.

A interoperabilidade, tem grandes implicações em termos do acesso à informação disponível em repositórios, pois dela depende a capacidade de “comunicação” entre os mesmos. Se as plataformas e os dados presentes nos repositórios forem interoperáveis, a possibilidade de pesquisa simultânea entre repositórios é facilitada, permitindo maximizar o potencial da informação em cada repositório. A partir de uma pesquisa é possível manipular os seus resultados, agregando-os ou separando-os e expandir ou refinar pesquisas em termos semânticos.

A interoperabilidade poderá ser facilmente definida como a capacidade de transferir e utilizar informações de maneira uniforme e eficiente entre várias organizações e sistemas de informação, podendo ser representada a vários níveis: " Hardware e/ou software " Integração de redes " Integração de sistemas " Integração de tecnologias

Considerações sobre Integração e Interoperabilidade

No passado, o processo de desenvolvimento de sistemas era baseado em metodologias que não se preocupavam com toda a empresa. Os sistemas eram desenvolvidos para responder às necessidades específicas de cada departamento da empresa.

O principal problema dessa prática é a fragmentação dos dados, que dificulta a obtenção de informações confiáveis e consolidadas, devido à redundância e inconsistência de dados armazenados em mais que um sistema.

Dimensões da Interoperabilidade

Interoperabilidade é definida como a capacidade que sistemas e máquinas tem de trocar, processar e interpretar corretamente as informações, e é condição essencial serviços de Governo Electrónico.

Desta forma foram definidas diferentes dimensões para a interopabilidade, que são:

Dimensão Descrição
Técnica Relacionada com questões associadas à implementação de sistemas, incluindo arquiteturas de software, padrões e tecnologias para o projeto e desenvolvimento de sistemas
Semântica Visa garantir que o significado exacto da informação trocada seja compreensível por qualquer outra aplicação não desenhada inicialmente para esse efeito.
Organizacional Referente à coordenação e alinhamento dos processos de negócio visando a promoção da colaboração de entidades para trocas dados e que podem ter estruturas e processos internos diferentes

 

Interoperabilidade para Governo Eletrónico

Governo Eletrônico tem como definição principal, o “uso das tecnologias de informação e comunicação, enquanto ferramenta para levar a um governo melhor.” É considerado como uma das principais formas de modernização do estado, pois está fortemente apoiado sobre o uso das tecnologias para a prestação de serviços públicos, levando que o governo interaja com o cidadão, com as empresas, com outras instituições públicas de uma forma diferente.

Os esforços dos governos para a sua concretização visam, a acções direcionadas ao cidadão, a oferta de meios de acesso a informações e serviços, a organização da informação dentro das organizações, a troca de informações entre entidades, e o suporte à interoperabilidade. Um dos desafios para a implementação, é a criação de uma infraestrutura tecnológica capaz de suportar a troca de dados entre vários sistemas, desenvolvidos em diferentes plataformas.

A interoperabilidade é entendida como um conceito que envolve múltiplas dimensões, que vão além da integração de sistemas, interligação de redes ou troca de dados entre sistemas, tendo como resultado diversos benefícios, nomeadamente:

  • Maior efectividade, por meio da interligação em vez de soluções isoladas;
  • Mais eficiência, com a redução dos custos de transação e aumento da participação das entidades envolvidas;
  • Menor tempo de resposta, devido à facilidade do acesso a uma maior quantidade de informações, o que possibilita a resolução mais rápida de problemas.

Com foco no serviço prestado aos Cidadãos/Empresas, as plataformas de Interoperabilidade visam proporcionar um método fácil e integrado de disponibilização de serviços electrónicos transversais, tornando-se uma peça fundamental no processo de modernização administrativa do Estado.

Neste âmbito, são identificados os princípios orientadores:

  • Promover e facilitar a interoperabilidade ao nível técnico, funcional e organizacional;
  • Agilizar e desenvolver a disponibilização de processos de negócio e de serviços electrónicos por parte das várias entidades
  • Permitir de forma fácil e integrada a disponibilização de serviços electrónicos transversais centrados no Cidadão;
  • Disponibilizar mecanismos de autenticação e gestão de identidade para, de uma forma segura, facilitarem a identificação do Cidadão perante as entidades que se encontram integradas na plataforma

Interoperabilidade na Saúde

A interoperabilidade tem um valor importante no aumento da segurança do paciente ao permitir o acesso e a disponibilidade aos dados clínicos dos pacientes. O acesso aos dados clínicos do paciente em tempo real permite ao sistema de saúde atender o paciente a partir de qualquer local de atendimento do sistema melhorando assim a qualidade e a eficiência desse atendimento.

A adoção de normas de interoperabilidade no setor da saúde tem-se tornado cada vez mais indispensável devido à existência de uma grande diversidade de plataformas de hardware e software distintas, necessidade e urgência de procura e comunicação de informações clínicas e administrativas em tempo real e disponibilização do uso de sistemas de apoio à decisão cada vez mais evoluídos.

Interoperabilidade na SaúdeA complexidade que deriva das várias entidades de saúde, nomeadamente hospitais, centros de saúde, médicos, seguradoras, entre outros, torna evidente a necessidade de garantir uma fluidez de processos.

Esta fluidez deverá estar assente em normas e boas práticas de interoperabilidade, a nível funcional, interação de dois ou mais sistemas (equipamentos, sistemas de informação, bases de dados) para trocar informações de acordo com um conjunto de regras definidas e a nível semântico, que se traduz na capacidade de diversos sistemas partilharem informações compatíveis entre si.

O caminho a seguir deverá ser o de compilar o máximo de informação sobre os cidadãos, o que permitirá mudar o paradigma de cuidados. A interoperabilidade deve acontecer a nível centralizado, porque os projetos locais, não garantem interoperabilidade aceitável.

É frequente considerar como barreira à interoperabilidade os custos envolvidos. No entanto, vários estudos apontam a falta de interoperabilidade, como uma das causas de gastos bastante mais elevados, resumindo:

  • Maior acessibilidade: melhor troca de informação entre entidades de saúde evitando transportar dados e informação por outros meios, mais dispendiosos;
  • Mais qualidade: a informação médica está disponível para prevenção e diagnóstico, evita erros de tratamento devido à falta de informação;
  • Menores custos: evita, a duplicação de resultados (análises ou exames de diagnóstico).

A realidade actual representa um importante obstáculo à consolidação e manutenção da informação do doente, da gestão dos serviços, e consequentemente à disponibilidade, em tempo útil, de informação de gestão completa e fiável, indispensável para um adequado suporte à decisão.

É típica a existência de sistemas heterogéneos com características próprias e com bases tecnológicas diferentes, o que implica diferentes tipos de ligações e comunicações: ligações a nível dos dados, interfaces com protocolos.

Num ambiente onde existe uma grande heterogeneidade de sistemas, com métodos de desenvolvimento diferentes, a inexistência de uma estratégia de integração potencia as dificuldades.

A utilização de critérios na introdução de sistemas nas unidades de saúde garantindo que estes façam uso de um conjunto de boas práticas permitirá eliminar algumas das dificuldades e começar um caminho de inversão do cenário atual.

Estes critérios passam pela definição de uma estratégia de integração transversal, quer pela definição de regras para o desenvolvimento de aplicações, quer pela gestão de projetos e acima de tudo pela adequação dos sistemas existentes às reais necessidades.

Sistemas que actuam como ilhas não contribuem para o coletivo, logo, não participam, não entendem, nem agrupam dados, informação. Deste modo, sugerem-se duas soluções para a implementação de uma estratégia de integração:

  • A introdução de um novo sistema vertical e abrangente a todas as áreas que trabalhe de forma integrada e que dê resposta às diferentes necessidades.
  • A definição de uma estratégia de integração que permita a adição de novos processos e a evolução dos existentes, garantindo uma boa comunicação entre estes.

A tecnologia continuará a ser um factor importante nos cuidados de saúde e a trazer novos modelos operacionais, os quais vão alterar a forma como os profissionais de saúde comunicarão com os pacientes e prestarão serviços.

 

Este artigo continuará na próxima edição da Revista Digital Tecnologia e Desenvolvimento da DGM Sistemas.

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